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Lente do convênio ou lente refrativa na cirurgia de catarata: qual a diferença?
Publicado em 05/11/2026 · Revisado em 06/11/2026
A lente do convênio corrige parte do grau para longe e trata a catarata. As lentes refrativas podem corrigir também o astigmatismo, as aberrações ópticas e, em alguns modelos, a vista cansada. A escolha depende do seu olho e do seu dia a dia, não de uma lente ser melhor que a outra.
Esquema do olho visto de lado. Na cirurgia de catarata, o cristalino opaco é retirado e a lente intraocular fica dentro da cápsula, atrás da íris.
Por que toda cirurgia de catarata implanta uma lente?
Porque a catarata é o cristalino que ficou opaco, e a cirurgia retira esse cristalino. Explicando de forma simples: "Na cirurgia de catarata, sempre precisamos implantar uma lente intraocular, pois na cirurgia removemos o cristalino, que é a lente intraocular natural do olho, e o substituímos por uma lente artificial."
A Academia Americana de Oftalmologia descreve a lente intraocular da mesma forma: uma lente artificial que substitui a lente natural retirada na cirurgia de catarata.
Nem sempre foi assim. "Há mais de 40 anos, quando não existiam essas lentes intraoculares, o paciente só era operado quando a catarata era muito avançada. E a visão dele era a visão de vultos." O olho ficava sem lente, e quem tinha grau normal precisava de óculos de 12 ou 13 graus. Hoje, ao retirar o cristalino, a proposta é implantar uma lente que diminua ao máximo o grau.
O que a lente do convênio corrige?
A lente do convênio é uma lente monofocal esférica. Ela corrige parcialmente a miopia e a hipermetropia. Ela não corrige o astigmatismo e não corrige as aberrações ópticas.
Monofocal quer dizer um foco só. Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, quem recebe uma lente monofocal ajustada para longe costuma precisar de óculos para ler e para o perto.
Pela regra da ANS, o plano de saúde cobre a cirurgia de catarata com implante de lente intraocular, conforme indicação do médico. O tratamento só do grau, da vista cansada ou do astigmatismo com lente não está no Rol de cobertura obrigatória (Parecer Técnico ANS nº 22/2018).
Quais são as lentes refrativas e o que cada uma acrescenta?
As lentes refrativas foram evoluindo com o tempo. Em ordem:
- Monofocal asférica. Corrige a miopia ou a hipermetropia e também as aberrações de alta ordem, pequenas distorções da imagem que a lente esférica não trata. O foco continua priorizando o longe.
- Monofocal tórica. Corrige a miopia ou a hipermetropia e também o astigmatismo. A Academia Americana de Oftalmologia descreve a lente tórica como desenhada para corrigir o astigmatismo.
- Multifocal. Tem foco para longe e para perto, o perto sendo a presbiopia, ou a vista cansada. Na multifocal não havia a meia distância, então era feito um balanço entre os dois olhos, com um olho mais ajustado para o perto e o outro para uma distância um pouco maior.
- Foco estendido. Corrige o longe, a meia distância, que é a distância de computador, e um perto parcial. Perto parcial quer dizer que você talvez precise afastar um pouco mais o braço para ler letras menores.
- Trifocal. Tem foco para longe, meia distância e perto.
As lentes que corrigem a vista cansada, segundo a Academia Americana de Oftalmologia, reduzem a dependência dos óculos, sem eliminá-la. É o que digo também: "Nunca se pode afirmar com garantia que a pessoa não vai usar em nenhum momento óculos. Sempre a proposta é reduzir a dependência dos óculos."
Como se escolhe a lente para o seu olho?
"Não existe a melhor lente. Existe sim a lente mais adequada para cada olho." A escolha leva em conta:
- as características da córnea, inclusive o astigmatismo
- a retina e as outras condições da saúde ocular
- o seu estilo de vida: leitura, computador, direção à noite, esporte
Antes da cirurgia, o oftalmologista mede o comprimento do olho e a curvatura da córnea para calcular o grau da lente (Academia Americana de Oftalmologia). Algumas doenças da retina ou da córnea tornam uma lente multifocal ou trifocal menos indicada. Por isso a decisão é feita na consulta, com o exame completo.
Na prática, o que costuma pesar mais na escolha é o seu dia a dia. Se você lê, trabalha e precisa de foco para perto e para o computador. Se pratica esportes ou dirige à noite. Pessoas mais ativas tendem a desejar depender menos dos óculos.
O outro lado são as características de cada olho, porque nem todo olho permite todos os tipos de lente:
- olhos com glaucoma avançado ou com doenças da retina não devem receber lentes multifocais;
- uma cirurgia refrativa feita antes muda o cálculo da lente;
- a córnea pode ser regular ou irregular;
- o astigmatismo pode ou não ser corrigido pela lente.
Tudo isso é analisado na consulta e nos exames antes da cirurgia, e a decisão sobre o tipo de lente é tomada junto com você.
Quando procurar o oftalmologista?
Procure uma consulta se você:
- tem diagnóstico de catarata e vai operar sem ter conversado sobre o tipo de lente
- tem astigmatismo e quer saber se ele pode ser corrigido na mesma cirurgia
- usa óculos para perto e gostaria de depender menos deles depois da cirurgia
- tem doença na retina, glaucoma ou diabetes, que mudam a escolha da lente
- percebe a visão piorando a ponto de atrapalhar a leitura ou a direção à noite
Perguntas frequentes
A lente do convênio é pior?
Não. Ela trata a catarata e corrige parte do grau para longe. A diferença é o que ela não corrige: o astigmatismo, as aberrações ópticas e a vista cansada. Para alguns olhos, ela é a mais adequada.
Com lente refrativa eu fico sem óculos?
Depende. As lentes que corrigem a vista cansada reduzem a dependência dos óculos, mas ninguém pode garantir que você nunca vai usá-los. O resultado depende do olho, da lente e da cicatrização.
Dá para usar lentes diferentes em cada olho?
Em alguns casos, sim. Com as multifocais, era comum ajustar cada olho para uma distância, para compensar a falta da meia distância. Isso é decidido no planejamento da cirurgia.
A lente intraocular precisa ser trocada depois?
Não. A lente intraocular é feita para durar a vida toda. A troca pode ser considerada em alguns casos, como quando a pessoa não se adapta a um tipo de lente ou quando houve erro no cálculo do grau. Mas trocar a lente, principalmente depois de muito tempo do implante, é um procedimento com risco considerável e deve ser evitado ao máximo. Por isso a avaliação cuidadosa e a escolha da lente para cada olho são tão importantes.
Se sobrar grau depois da cirurgia, há opções para corrigi-lo e reduzir a dependência dos óculos:
- a correção do grau com laser, a cirurgia refrativa;
- uma segunda lente, chamada lente suplementar, colocada à frente da lente já implantada.
A indicação depende do olho e é avaliada na consulta.
Agende sua avaliação
Se você vai operar a catarata e quer entender qual lente combina com o seu olho, a consulta inclui o exame e a conversa sobre cada opção. O Instituto de Olhos Leopoldina fica na Vila Leopoldina, perto da Lapa, de Pinheiros e do Alto de Pinheiros. Agendamento pelo WhatsApp.
Leia também: como é a cirurgia de catarata, quem pode fazer a cirurgia para tirar o grau e a formação do Dr. André Vidoris.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.